Sou quadro pintado para ninguém
Lágrimas acesas, choradas por alguém
Sou a frágil cedência de um humano coração
Dei-me na desesperada noite de uma breve solidão
Tentei ser, sem a beleza enfraquecedora do teu olhar
Sem o doce perfume do teu cheiro
Tentei fingir que o meu comando era a razão
Mas quando a dor chegou, o coração cedeu primeiro
Oh! Que mágoa que guardo da fraqueza deste meu coração
Entreguei-me, sem pensar, nessa leve e já saudosa paixão
Caí na sensibilidade que os teus lábios despertam
E na inesquecível beleza que os teus olhos libertam
Não só fraca é a carne, mas também é esta alma
Que sempre encontrou desgosto de onde esperava a paz e calma
Dou-me às garras da tristeza quando esperava amor delas
E o meu ser tem de amor tanta fome, como os presos a têm de sair das suas celas
Grito sucumbida por feridas que parecem não ter cura
Sempre fui um soldado nesta guerra, mas nunca possuí armadura
Quem me disse que era forte como na tempestade um vento
Foi porque nunca me ouviu pedir aos céus o seu alento
Quero viver com gosto na alegria do amar
Não quero salpicar em desgosto de lá não puder chegar
Oiço-me nos gritos das paredes que me querem liberdade
De amar e não chorar e da minha felicidade
[Penso que já tinha postado a 1ª parte deste post, mas como decidi que iria continuá-lo postei aqui a sua continuidade. Espero que vos agrade. Um beijo e um obrigado aqueles que continuam a comentar.]